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Casa e crédito

Taxa de Esforço Máxima de 45%: As Novas Regras do Crédito Habitação

Desde 1 de agosto de 2026, a taxa de esforço máxima no crédito habitação desceu de 50% para 45%. Explicamos o que mudou, quanto menos podes pedir e o que fazer.

Por Academia das Finanças · Atualizado a 16 de outubro de 2026 · 7 min leitura

Valores verificados a 16 de outubro de 2026. Taxas e regras mudam: antes de decidir, confirma a ficha de informação (FIN) do banco e o Portal do Cliente Bancário.

Desde 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que os bancos só aprovem, em regra, crédito habitação a quem gasta no máximo 45% do rendimento líquido em prestações. Até julho, o limite era de 50%. Parece uma diferença pequena, mas pode cortar dezenas de milhares de euros ao valor que o banco te empresta. Neste guia explicamos o que é a taxa de esforço, como calcular a tua, o que mudou nas regras do Banco de Portugal e o que podes fazer para continuar a conseguir crédito.

Resumo rápido

  • Taxa de esforço: a parte do rendimento líquido mensal que vai para prestações de todos os créditos
  • Novo limite: 45% desde 1 de agosto de 2026 (era 50%)
  • Exceções: só 10% do crédito novo de cada banco pode passar o limite (era 15%)
  • Prazos máximos: 40 anos até aos 35 anos de idade; 35 anos a partir daí
  • Financiamento máximo: 90% do valor da casa para habitação própria; 80% nos outros casos
  • Na prática: com 2.000 € líquidos, a prestação máxima desce de 1.000 € para 900 €

O que é a taxa de esforço

É a percentagem do teu rendimento líquido mensal que já está comprometida com prestações de crédito:

Taxa de esforço = prestações mensais de todos os créditos ÷ rendimento líquido mensal × 100

Exemplo: um casal com 2.400 € líquidos por mês, uma prestação da casa de 700 € e um crédito automóvel de 250 € tem uma taxa de esforço de 39,6% (950 ÷ 2.400).

Duas coisas que muita gente esquece:

  • Entram os outros créditos: habitação, automóvel, pessoal. Nos cartões de crédito, depende de terem plano de reembolso e da análise de cada banco (vê as perguntas frequentes). As despesas do dia a dia (luz, supermercado) não entram.
  • O banco faz a conta com um teste de stress: calcula a prestação como se os juros subissem. Por isso, a taxa de esforço “do banco” é mais alta do que a que calculas com a taxa de hoje.
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O que mudou a 1 de agosto de 2026

O Banco de Portugal publicou as novas recomendações a 2 de julho de 2026:

Regra Até julho de 2026 Desde 1 de agosto de 2026
Taxa de esforço máxima 50% 45%
Crédito que pode passar o limite (por banco) 15% 10%
Prazo máximo até aos 35 anos 40 anos (37 entre os 30 e os 35) 40 anos
Prazo máximo acima dos 35 anos 35 anos 35 anos
Financiamento máximo, habitação própria 90% (100% em imóveis dos bancos) 90% para todos

O objetivo é travar o endividamento das famílias numa altura de preços muito altos e de procura forte, puxada também pela garantia pública para jovens. Para quem está a meio de um processo, as regras aplicam-se aos créditos cuja avaliação de solvabilidade seja feita a partir de 1 de agosto.

Quanto menos podes pedir

Exemplo teórico, com 2.000 € de rendimento líquido, sem outros créditos, juro de 3,5% e prazo de 40 anos:

Limite de 50% Limite de 45%
Prestação máxima 1.000 € 900 €
Crédito máximo aproximado 258.000 € 232.000 €
Diferença cerca de 26.000 € a menos

Na realidade, o valor aprovado é mais baixo, por causa do teste de stress e do limite de 90% do valor da casa. Mas o efeito é este: com o mesmo salário, o banco empresta menos, e a diferença tem de vir da tua poupança.

Simula o teu caso no simulador de crédito habitação ou na calculadora da taxa de esforço.

Quem sente mais

  • Quem estava a contar com 46% a 50%: são exatamente os casos que deixam de passar.
  • Quem já tem outros créditos: cada prestação de carro ou crédito pessoal ocupa espaço dentro dos 45%.
  • Rendimentos mais baixos: têm menos margem para compensar.
  • Jovens até 35 anos ganham algo: o prazo máximo passa a 40 anos para todos os que têm até 35 anos (entre os 30 e os 35 era 37), o que baixa a prestação e ajuda a ficar dentro do limite.

O que podes fazer

  1. Calcula a tua taxa de esforço hoje, com todas as prestações. Se passas dos 40%, tens pouca margem.
  2. Liquida os créditos pequenos antes de pedir o crédito habitação. Com os pressupostos do exemplo acima (3,5% a 40 anos, sem teste de stress), um crédito automóvel de 250 € por mês tira cerca de 64.500 € ao crédito habitação que consegues pedir.
  3. Reforça a entrada: menos crédito, prestação mais baixa.
  4. Estica o prazo, se tens até 35 anos: 40 anos baixa a prestação (mas pagas mais juros no total).
  5. Compara bancos e spreads: um spread mais baixo baixa a prestação e a taxa de esforço. Vê como comparar propostas.
  6. Junta rendimentos: comprar a dois aumenta o rendimento considerado.

A nossa conclusão

A descida para 45% torna o crédito habitação mais difícil para quem estava no limite, mas não muda o essencial: comprar casa com uma prestação que leva metade do salário era arriscado antes e continua a ser. Usa os 45% como teto, não como objetivo. Se a conta não fecha, as alternativas são mais entrada, menos créditos, outro imóvel ou mais tempo a poupar. Vê também quanto precisas de ganhar para ter crédito habitação.

Perguntas frequentes

A regra dos 45% aplica-se aos créditos que já tenho?

Não. Aplica-se a crédito novo cuja avaliação de solvabilidade seja feita a partir de 1 de agosto de 2026. As prestações que já pagas não mudam por causa desta regra.

Os cartões de crédito contam para a taxa de esforço?

Podem contar. Na conta do Banco de Portugal entram as prestações dos créditos com plano de reembolso definido. Como o banco trata os cartões e o limite por usar depende da sua análise: pergunta antes de pedires o crédito. Cancelar cartões de que não precisas pode ajudar.

O banco pode aprovar acima de 45%?

Pode, mas só em casos excecionais e dentro de um máximo de 10% do crédito novo de cada banco. Como é uma recomendação, um banco pode afastar-se dela, mas tem de o justificar ao Banco de Portugal.

A taxa de esforço usa o rendimento bruto ou líquido?

Líquido, depois de impostos e Segurança Social.

As regras mudam o crédito com garantia pública para jovens?

A garantia pública continua. Mas os créditos com garantia também têm de cumprir a taxa de esforço e o teste de stress. Pergunta ao teu banco como a aplica.

Nota: artigo informativo, atualizado em outubro de 2026. Os exemplos são teóricos e não incluem o teste de stress nem as regras de cada banco. Não substitui uma simulação junto do banco ou de um intermediário de crédito.

Fontes: Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário: avaliação da solvabilidade (45%, LTV 90%/80%, prazos de 40 e 35 anos), ECO (fonte secundária), Banco de Portugal aperta regras do crédito a partir de agosto (exceções de 10% + 5% passam a 10%), Santander (fonte secundária), novas regras do crédito à habitação (exceções e cenários de stress por prazo), Banco de Portugal, Recomendação sobre novos contratos de crédito, texto consolidado de 2020 (natureza de recomendação e cálculo da taxa de esforço). Consultadas a 16 de outubro de 2026. Informação educativa, não é aconselhamento financeiro.