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Casa e crédito

Crédito Pessoal com Salário Baixo em Portugal: Regras e Custos em 2026

Como conseguir crédito pessoal com salário baixo: o que os bancos analisam, a taxa de esforço de 45%, as TAEG máximas de 2026, onde pedir e quando é melhor não pedir.

Por Academia das Finanças · Atualizado a 8 de outubro de 2026 · 7 min leitura

Valores verificados a 8 de outubro de 2026. Taxas e regras mudam: antes de decidir, confirma a ficha de informação (FIN) do banco e o Portal do Cliente Bancário.

Conseguir um crédito pessoal com um salário baixo é mais difícil, mas não é impossível. O que decide a aprovação não é só quanto ganhas: é quanto do teu rendimento já está comprometido e como tens gerido os créditos anteriores. Neste guia explicamos o que os bancos analisam, as regras em vigor em 2026, quanto pode custar o crédito, onde pedir e, sobretudo, quando é melhor não pedir.

Resumo rápido

  • O que decide: a taxa de esforço (prestações ÷ rendimento líquido), que, em regra, não pode passar de 45% desde agosto de 2026, e o teu historial no Banco de Portugal
  • Prazo máximo: 7 anos no crédito pessoal (10 anos para educação, saúde e energias renováveis)
  • Exceção: estes limites do Banco de Portugal não se aplicam a créditos até 10 salários mínimos (9.200 € em 2026), nem a cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos; o banco continua a ter de avaliar se consegues pagar
  • Juro máximo legal (out. a dez. de 2026): TAEG de 15% no crédito pessoal comum e 8,2% para educação, saúde e transição energética
  • Onde: bancos e instituições de crédito autorizadas pelo Banco de Portugal; compara sempre a TAEG e o MTIC
  • Alerta: quem pede dinheiro adiantado para “aprovar” um crédito é burla

O que os bancos analisam

1. A taxa de esforço

É a parte do teu rendimento líquido que vai para prestações de créditos:

Taxa de esforço = prestações mensais ÷ rendimento líquido mensal × 100

Desde 1 de agosto de 2026, as regras do Banco de Portugal limitam, em regra, a taxa de esforço a 45% para crédito novo, e os bancos fazem a conta com um teste de stress. Estes limites não se aplicam a créditos de valor igual ou inferior a 10 salários mínimos (9.200 € em 2026), nem a cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos. Mesmo nesses casos, o banco tem de avaliar se consegues pagar. Com o salário mínimo (818,80 € líquidos) e sem outros créditos, o teto teórico para um crédito acima de 9.200 € é de cerca de 368 € por mês em prestações. Na prática, para um crédito pessoal, muitos bancos ficam bem abaixo disso. Explicamos as regras em taxa de esforço de 45%.

2. O teu historial

Os bancos consultam o Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, onde aparecem todos os teus créditos e eventuais atrasos. Podes consultá-lo gratuitamente no Portal do Cliente Bancário. Prestações em atraso, mesmo pequenas, pesam muito.

3. A estabilidade do rendimento

Contrato sem termo, antiguidade no emprego e recibos de vencimento regulares ajudam. Contratos a termo, recibos verdes ou rendimentos irregulares tornam a aprovação mais difícil.

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Quanto pode custar

O Banco de Portugal fixa todos os trimestres a TAEG máxima que pode ser cobrada. Para contratos feitos entre outubro e dezembro de 2026:

Tipo de crédito TAEG máxima
Crédito pessoal (educação, saúde, transição energética) 8,2%
Crédito pessoal (outras finalidades) 15,0%
Crédito automóvel novo / usado 11,2% / 14,3%
Cartões de crédito e descobertos 18,5%

Exemplo hipotético: 3.000 € a 4 anos, com uma TAN de 12% e sem outros custos, dão uma prestação de cerca de 79 € e um custo total (MTIC) de cerca de 3.790 €: pagas cerca de 790 € pelo empréstimo. Neste caso, a TAEG fica perto de 12,7%, abaixo do máximo de 15%. Compara sempre o MTIC (montante total imputado ao consumidor), não só a prestação. Vê como comparar TAEG, TAN e MTIC.

Onde pedir

  • O teu banco: conhece o teu historial e pode ter condições melhores se lá recebes o salário.
  • Outros bancos: pede pelo menos 3 simulações e a FINE (ficha de informação normalizada) de cada uma.
  • Instituições de crédito especializadas: costumam aprovar mais depressa e aceitar perfis mais modestos, mas com juros mais altos.
  • Intermediários de crédito: podem comparar várias propostas por ti; confirma que estão registados no Banco de Portugal.

Antes de assinar, confirma no site do Banco de Portugal que a entidade está autorizada. Simular não afeta o teu historial; o que conta são os créditos contratados e os atrasos.

Como aumentar a probabilidade de aprovação

  1. Pede só o que precisas, com o prazo mais curto que a prestação aguenta.
  2. Liquida créditos pequenos e cartões antes de pedir.
  3. Tem a conta organizada nos últimos meses, sem descobertos.
  4. Junta rendimentos: pedir a dois (cônjuge) aumenta o rendimento considerado.
  5. Usa a finalidade certa: educação, saúde ou eficiência energética têm juros máximos muito mais baixos.

Quando é melhor não pedir

  • para pagar outras dívidas sem mudar os hábitos que as criaram;
  • para férias, telemóveis ou compras que não são essenciais;
  • se a prestação te deixa sem margem para imprevistos.

Muitas vezes, a melhor alternativa é juntar o dinheiro durante uns meses. Vê como poupar 1.000 € em 6 meses e como criar um fundo de emergência.

Se já tens dificuldades em pagar créditos, fala com o banco antes de falhar prestações. Os bancos têm de procurar soluções (por exemplo, alargar o prazo) e há apoio gratuito na rede de apoio ao consumidor endividado.

Cuidado com as burlas

  • Ninguém legítimo pede dinheiro adiantado para “desbloquear” ou “aprovar” um crédito.
  • Desconfia de ofertas por WhatsApp, Facebook ou SMS de “crédito sem consulta ao Banco de Portugal”.
  • Nunca envies fotografias do Cartão de Cidadão ou códigos de acesso ao banco a desconhecidos.

A nossa conclusão

Com um salário baixo, o crédito pessoal é possível se a taxa de esforço ficar folgada, o historial estiver limpo e pedires o valor certo. Mas é caro: com TAEG até 15%, um empréstimo pequeno pode custar centenas de euros em juros. Compara sempre a TAEG e o MTIC em pelo menos três propostas, usa entidades autorizadas pelo Banco de Portugal e pergunta-te primeiro se não dá para juntar o dinheiro em vez de o pedir.

Perguntas frequentes

Com o salário mínimo consigo crédito pessoal?

É possível, sobretudo para valores baixos, com contrato estável e sem outros créditos. A prestação terá de caber com folga na taxa de esforço.

Qual é o juro máximo de um crédito pessoal?

Entre outubro e dezembro de 2026, a TAEG máxima é de 15% no crédito pessoal comum e de 8,2% para educação, saúde e transição energética.

Simular um crédito prejudica o meu historial?

Não. Simulações e pedidos de informação não ficam registados como créditos no Mapa de Responsabilidades.

Posso ter um fiador?

Alguns bancos aceitam fiador ou um segundo titular, o que pode ajudar. Mas o fiador fica responsável pela dívida se tu não pagares.

Nota: artigo informativo, atualizado em outubro de 2026. As TAEG máximas mudam todos os trimestres; confirma no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal. Não é aconselhamento financeiro.

Fontes: Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário: TAEG máximas no crédito aos consumidores no 4.º trimestre de 2026, Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário: avaliação da solvabilidade (taxa de esforço de 45%, prazos de 7 e 10 anos, exclusões), Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário: responsabilidades de crédito (mapa gratuito), Diário da República, Decreto-Lei n.º 29-A/2026 (retribuição mínima mensal garantida de 920 € desde 1/1/2026). Consultadas a 8 de outubro de 2026. Informação educativa, não é aconselhamento financeiro.

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